Médicos e classe media brasileira me causam náuseas

Vivemos um tempo de ostentação, aparências, luxo, futilidades e preconceitos. O importante é ter, ser "fashion", estar na moda. Viajar para o exterior passou a ser uma obsessão. Curioso que muitas pessoas tem tv a cabo, mas não se libertam, continuam a enxergar o mundo através da tela da Tv Globo e dos outros canais abertos. Recebem doses diárias cavalares de programação do mais baixo nivel e acompanham o noticiário resumido da semana pelas páginas da revista VEJA.
A exposição contínua a esse lixo, à essa indigência mental, destrói o censo critico das pessoas e cria uma padronização de opiniões que se revela logo nos primeiros minutos de conversa. São, invariavelmente, contra o programa Bolsa Familia, favoraveis à pena de morte, à redução da maioridade penal, acham o Luxemburgo genial, ficaram indignadas com a eleição do Lula, um cara sem estudo e sempre torcem, caipiramente, por algum filme brasileiro disputar o Oscar ou uma Miss Brasil ganhar o Miss Universo. Acham que a carga tributaria brasileira é muito alta e se encantam com a América, lá é que é bom.
Acham um absurdo a concessão de preferencial para cidadãos que chegaram na senioridade, reclamam dos politicos, do transito caótico, das estradas, mas sempre que podem, dão chapeu no imposto de renda, estacionam em vaga de deficiente fisico, furam alguma fila ou ultrapassam pelo acostamento.
Uma jornalista postou na rede social que as medicas cubanas que chegaram ao Brasil tinham cara de empregadas domesticas. Ela identificou no semblante dessas medicas, semelhanças com aquelas pessoas que, na visão dela, são pessoas de segunda categoria. É aquele negocio de dizer que o carinha tem cara de pedreiro. Chegou a por em duvida se seriam mesmo medicas. Pegou muito mal, deu bate boca, se desculpou, encerrou a conta do facebook, mas o Sindicato parece que vai processar a dondoca.
A classe médica não é diferente. São pessoas que vem das elites, das classes mais favorecidas e, mesmo agora, que a maioria se transformou em meros assalariados, solicitantes de exames e dependentes dos planos de saude, não conseguem perceber que a função primordial deles é diminuir o sofrimento humano.
Eles batem sempre na mesma tecla. Dizem que não há condições materiais, não há recursos, não há investimentos necessarios na área da saude. É verdade. As equipes e os materiais são insuficientes, os salarios são inadequados, os equipamentos hospitalares de ultima geração não estão disponiveis, mas ainda assim, mesmo sem isso tudo, é possivel reduzir o sofrimento humano.
E, embora não seja uma regra, sei de relatos de pessoas que foram muito bem atendidas em postos de saude da Prefeitura e em Hospitais publicos que não possuem os recursos do Vera Cruz, por exemplo.
Na idade media, os "barbeiros" iam de cidade em cidade fazendo amputações, imobilizações, vendendo elixir, xarope e melhorando a vida das pessoas. 
Um grande numero de municipios brasileiros não dispõe de medicos. Aqui no Brasil, ninguem quer ir para lá e eu fico com a impressão que eles não querem ir e não querem que ninguém vá.
Meu guru Millor Fernandes dizia que os anuncios funebres dos jornais deveriam trazer tambem, alem do nome do falecido, o nome e o crm do medico que o assistiu. Trata-se, claro, de uma ironia, uma bricadeira, e meu pai foi atendido e acabou falecendo, no Copa D'Or nas mãos de um nefrologista, Dr Valença, no qual eu via todas as caracteristicas que se espera de um medico.  Atenção, respeito, cuidado, dedicação, simplicidade, competencia, facil acesso e confiabilidade.

Uma outra dondoca brasileira foi impedida de viajar para a Indonesia, pela Air Qatar, porque no check in, seu pai resolveu fazer uma bricadeirinha babaca e disse para ela que ainda bem que não tinham percebido que ela era uma terrorista. Os funcionarios ouviram e retiraram a dondoca do voo que, ainda por cima, vai ter que pagar o custo da passagem para a Universidade. Muito bem feito, não se deve falar em corda na casa de enforcado. 






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